Hoje é dia de rock, bebê!

Hoje é dia de rock, bebê!

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Hoje é dia de rock, bebê!

E estamos na semana do Rock In Rio. Críticas a parte sobre a line up, vou aproveitar o clima musical e festivo para falar de… Literatura.

A maioria dos jovens – e digo isso com conhecimento de causa, leciono em turmas de adolescentes – não vê relação alguma entre poesia e música popular, entre estilos musicais e escolas literárias. Me diverte quando mostro a eles que a estrutura musical – rima, harmonia, ritmo, refrão – tudo vem dos grandes épicos da antiguidade. O termo Lírica, que designa o gênero literário poético por excelência, tem origem justamente no nome de um instrumento musical, a lira.

Hoje é dia de rock, bebê!

Mas você, querido leitor de mal traçadas linhas, vai dizer: “mas o que um texto antigo tem a ver com a música? Poesia se faz há muito tempo, a indústria musical é recente.”

Bem, direi a vocês. A relação vai além da estrutura. Quando observamos as escolas literárias, percebemos que todos os poetas eram influenciados pelo meio que os cercavam; ideias, comportamentos, tradições, costumes, tudo isso que cercava o mundo do autor entrava em sua poética e formava sua escola. Por sua vez essas escolas influenciavam positiva ou negativamente as gerações seguintes.

Pois bem, vindo para hoje, basta observar a influência dessas obras sobre os compositores. A geração dos anos de 1980 – para ficar na fase que passei a ouvir música com atenção – era fortemente influenciada pelos artistas ingleses do final dos anos de 1970 e que ficaram conhecidos como new romantics, pós-punks e góticos. Esses artistas cultuavam o Romantismo do século XIX com toda sua melancolia.

No Brasil, o maior expoente desta geração foi a banda de rock Legião Urbana. Cultuada desde então, ela carrega toda a carga ideológica dos poetas românticos. Canções como Índios, Vento no Litoral ou Perfeição nos brindam com características das três gerações do Romantismo brasileiro.

E não é só no pop que encontramos essa aproximação de música e poesia. Na seara do heavy metal, a banda Sepultura há alguns anos gravou o disco Dante XXI, uma adaptação do grande clássico italiano, a Divina Comédia.

Já na MPB, encontramos poesias como Rosa de Hiroxima (Vinícius de Moraes), Fanatismo (Florbela Espanca) e a canção Monte Castelo (adaptada de um soneto do poeta português Luís de Camões) foram musicadas por grandes artistas do cancioneiro popular.

Portanto, entre um show e outro do Rock In Rio, aproveite para ler um coletânea de poesia, ou um livros de contos, seja na Cidade do Rock, seja no sofá de casa. Até a próxima.

 

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