MC Anitta, a revelação feminina do funk carioca

MC Anitta, a revelação feminina do funk carioca

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MC Anitta, a revelação feminina do funk carioca
Anitta | Foto: Divulgação

Por Helder Maldonado – Nova estrela feminina do funk carioca, MC Anitta é um personagem incomum no segmento. Com apenas 18 anos, já viveu momentos díspares em sua vida. Na infância e adolescência, foi cantora de música católica em igrejas, casamentos, batizados e eventos religiosos.

Nesse período, seguiu esse caminho por influência familiar. “Meu avô tocava na banda da igreja e me convidou. Comecei muito novinha, com 7 ou 8 anos, nem me lembro. Essa experiência acabou sendo um exercício que me aprimorou como cantora”, avalia Anitta.

E assim essa moça de família seguiu até os 17 anos. Prestes a completar a maioridade, Anitta resolveu que era o momento de fazer uma reviravolta em sua vida e carreira. Foi quando ela desistiu do segmento católico, abandonou o emprego em uma grande mineradora carioca (obtido em um concorrido concurso) e resolveu investir no funk carioca. “Por incrível que pareça, meus familiares me apoiaram muito nessa decisão. Eu sempre tive uma personalidade forte. Gostava de fazer arte, de chamar atenção, entreter as pessoas. Todos que conviviam comigo esperavam que eu fosse artista e escolhesse um caminho no mercado secular mesmo”, confidencia.

O início de sua carreira no funk também está longe de ser convencional. Anitta não é uma artista surgida nos bailes ou nas comunidades. O veículo que impulsionou o seu êxito inicial foi a internet. Após gravar um vídeo, foi descoberta por um produtor, que resolveu investir na carreira da moça. “Logo gravei o hit ‘Eu vou ficar’. Essa música ficou estourada, e depois gravei ‘Proposta’, que também tocou bem nas rádios”, relembra.

Desde o começo da divulgação da carreira no funk, Anitta tem como propósito investir em um case diferenciado. Suas apresentações são realizadas ao lado de duas dançarinas de styletto (mesmo estilo no qual Beyoncé é especialista). Fora isso, Anitta também não restringe seu repertório ao funk carioca. “Tenho uma extensão vocal boa e aproveito para interpretar músicas de artistas estrangeiras, como a própria Beyoncé, Rihanna, Shakira e Lady Gaga. Já até mesmo pensei em gravar músicas influenciadas pelo r’n’b, mas acredito que o meu público ainda não esteja preparado para essa mudança radical”, confirma.

E como todos os “operários do funk”, Anitta enfrenta verdadeiras batalhas nos fins de semana para realizar seus shows. São cerca de três apresentações em cada madrugada. “Terminamos um show, pegamos os equipamentos, entramos na van e nos mandamos para outra balada. É preciso muito fôlego para aturar essa correria. Principalmente quando há viagens para outros estados no dia seguinte”, explica Anitta.

Feminismo

Anitta faz parte de uma nova safra de artistas femininas que tem aparecido no funk carioca. Esse gênero tradicionalmente composto por artistas do sexo masculino com discurso de teor machista e misógino tem vivido uma grande transformação. Os cantores envolvidos no segmento têm deixado os temas apelativos de lado. A preocupação é se transformar em música que possa ser consumida por qualquer faixa etária e econômica. “Temos um bom numero de meninas representando o ritmo hoje. Acho que o fato de o funk estar em ascensão e atingindo classes econômicas superiores influencia os cantores a fazer um funk mais profissional, trabalhado e com conteúdo menos apelativo. Hoje em dia não existe festa que não toque funk. A batida do funk é muito diferente, envolvente, e já faz parte da nossa cultura. O brasileiro está começando a apreciá-lo com respeito”, acredita Anitta.

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